Estoque de empregos celetistas avança no comércio atacadista, mas crescimento perde força
Mesmo com o maior número de trabalhadores da série histórica, ritmo de contratações diminuiu frente a juros e endividamento elevados e inflação acima da meta
O comércio atacadista paulista terminou o primeiro semestre deste ano com uma base de cerca de 632 mil postos de trabalho formais. É o maior contingente de trabalhadores no setor da série histórica, iniciada em 2020. Em junho, a alta foi de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025. Confira o estudo completo da Radiografia do Comércio Atacadista elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Apesar do recorde no total de colaboradores ativos, o ritmo da expansão do emprego vem desacelerando, refletindo, além da base forte de comparação, a perda de fôlego da economia diante de juros elevados, endividamento das famílias e inflação acima do teto da meta. Enquanto entre janeiro e junho do ano passado, o atacado gerou 12.005 vagas; em 2026, no mesmo período, foram criados 5.536 postos de trabalho, resultado de 159.515 admissões e 153.979 desligamentos, constituindo o pior saldo para um primeiro semestre desde 2020.
O turnover subiu para 47,3%, em junho, ante os 45% registrados em junho de 2023, aumentando a preocupação com os impactos às empresas, como custos de recrutamento, treinamento, seleção e admissão de novos colaboradores. Na avaliação da FecomercioSP, o resultado expõe o cenário de baixo desemprego, no qual há mais vagas disponíveis do que candidatos qualificados, e o trabalhador passa a migrar com mais frequência entre empregadores em busca de salários melhores, benefícios e posições mais próximas de sua qualificação.
A Radiografia do Comércio Atacadista também revela o peso econômico do segmento: em 2024, o atacado respondeu por 48,7% da receita operacional líquida do comércio, embora concentrasse apenas 19% do pessoal ocupado. Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o atacado respondeu por R$ 3,75 trilhões,à frente do varejo, com R$ 3,19 trilhões (41,4%), e do segmento de veículos, peças e motocicletas, com R$ 760 bilhões (9,9%).
O desempenho do setor está fortemente ligado às commodities e aos insumos, oscilando em função dos preços dos combustíveis, do câmbio e das commodities agrícolas, e não apenas do volume comercializado. Segundo os dados da PAC, divulgados em julho passado, em 2024, as atividades de combustíveis e lubrificantes (R$ 883 bilhões) e de produtos alimentícios, bebidas e fumo (R$ 636 bilhões) somaram, sozinhas, 40,5% de toda a receita atacadista e 19,7% da receita do comércio brasileiro. Ao incluir matérias-primas agrícolas e animais vivos, as três maiores atividades atacadistas responderam por 25,9% da receita operacional líquida de todo o Comércio.
O setor ocupa uma posição estratégica na cadeia de distribuição de mercadorias, intermediando a produção industrial, a agropecuária e o varejo, além de financiar o capital de giro da cadeia e viabilizar a capilaridade da oferta de produtos em todo o território nacional.
