Página inicial Estoque de empregos celetistas avança no comércio atacadista, mas crescimento perde força

Estoque de empregos celetistas avança no comércio atacadista, mas crescimento perde força

Por Sincomercio Osvaldo Cruz clock 27 de agosto de 2026

Mesmo com o maior número de trabalhadores da série histórica, ritmo de contratações diminuiu frente a juros e endividamento elevados e inflação acima da meta

O comércio atacadista paulista terminou o primeiro semestre deste ano com uma base de cerca de 632 mil postos de trabalho formais. É o maior contingente de trabalhadores no setor da série histórica, iniciada em 2020. Em junho, a alta foi de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025. Confira o estudo completo da Radiografia do Comércio Atacadista elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Apesar do recorde no total de colaboradores ativos, o ritmo da expansão do emprego vem desacelerando, refletindo, além da base forte de comparação, a perda de fôlego da economia diante de juros elevados, endividamento das famílias e inflação acima do teto da meta. Enquanto entre janeiro e junho do ano passado, o atacado gerou 12.005 vagas; em 2026, no mesmo período, foram criados 5.536 postos de trabalho, resultado de 159.515 admissões e 153.979 desligamentos, constituindo o pior saldo para um primeiro semestre desde 2020.

O turnover subiu para 47,3%, em junho, ante os 45% registrados em junho de 2023, aumentando a preocupação com os impactos às empresas, como custos de recrutamento, treinamento, seleção e admissão de novos colaboradores. Na avaliação da FecomercioSP, o resultado expõe o cenário de baixo desemprego, no qual há mais vagas disponíveis do que candidatos qualificados, e o trabalhador passa a migrar com mais frequência entre empregadores em busca de salários melhores, benefícios e posições mais próximas de sua qualificação.

A Radiografia do Comércio Atacadista também revela o peso econômico do segmento: em 2024, o atacado respondeu por 48,7% da receita operacional líquida do comércio, embora concentrasse apenas 19% do pessoal ocupado. Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o atacado respondeu por R$ 3,75 trilhões,à frente do varejo, com R$ 3,19 trilhões (41,4%), e do segmento de veículos, peças e motocicletas, com R$ 760 bilhões (9,9%).

O desempenho do setor está fortemente ligado às commodities e aos insumos, oscilando em função dos preços dos combustíveis, do câmbio e das commodities agrícolas, e não apenas do volume comercializado. Segundo os dados da PAC, divulgados em julho passado, em 2024, as atividades de combustíveis e lubrificantes (R$ 883 bilhões) e de produtos alimentícios, bebidas e fumo (R$ 636 bilhões) somaram, sozinhas, 40,5% de toda a receita atacadista e 19,7% da receita do comércio brasileiro. Ao incluir matérias-primas agrícolas e animais vivos, as três maiores atividades atacadistas responderam por 25,9% da receita operacional líquida de todo o Comércio.

O setor ocupa uma posição estratégica na cadeia de distribuição de mercadorias, intermediando a produção industrial, a agropecuária e o varejo, além de financiar o capital de giro da cadeia e viabilizar a capilaridade da oferta de produtos em todo o território nacional.