Página inicial PEC da Segurança Pública deve ser aprovada, mas sem deixar responsabilidade fiscal de lado

PEC da Segurança Pública deve ser aprovada, mas sem deixar responsabilidade fiscal de lado

Por Sincomercio Osvaldo Cruz clock 17 de setembro de 2026

Proposta amplia integração e combate ao crime organizado, mas Senado deve resistir às pressões de categorias para a concessão de benefícios que aumentem gastos públicos

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)entende como fundamental a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 18/2025, ou “PEC da Segurança Pública”, em tramitação no Senado Federal, mas alerta para que essa Casa Legislativa resista a eventuais pressões de categorias por concessão de benefícios ou aposentadorias especiais que resultariam em aumento dos gastos públicos. 

Texto aprimora combate ao crime organizado 

O substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados trouxe melhorias significativas em relação ao que havia sido proposto inicialmente pelo Executivo. Ao manter um equilíbrio federativo e estruturar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com coordenação nacional e uma execução descentralizada, o projeto preserva autonomia dos Estados e valoriza a cooperação com os municípios. 

O resultado é mais interoperabilidade tecnológica, com compartilhamento de informações e maior atuação integrada por meio de forças-tarefas, que diminuem o excesso de burocracias desnecessárias. Outra alteração importante foi a previsão de criação de um regime jurídico especial a organizações de alta periculosidade, que inclui sanções rigorosas, restrições a benefícios e instrumentos eficazes de apreensão de bens obtidos com atividades criminosas. 

Também merece destaque a previsão de modernização e fortalecimento da gestão do sistema prisional, que deve ajudar a combater um dos problemas estruturais da segurança pública no País: a utilização de presídios como centros de comando e articulação criminosa. 

Por fim, a vinculação de recursos ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), com critérios de distribuição e vedação de contingenciamento, permite previsibilidade orçamentária, fundamental aos setores produtivos. 

Insegurança afeta empresas e investimentos 

Uma sondagem realizada pela FecomercioSP há um mês mostrou, por exemplo, que 52,2% dos negócios do Comércio paulistano gastaram com segurança privada para se protegerem da violência, função que deveria ser garantida pelo Estado. Desses, 25,6% investiram em câmeras e monitoramento; 6,4%, em vigilância ou rondas; e 3%, em reforço físico, enquanto outros 15,6% adotam mais de uma dessas medidas. 

Mais do que investimentos nesses mecanismos de proteção, o crime organizado também desestimula as empresas a injetarem mais recursos nas operações, encarece os seguros, amplia perdas logísticas e compromete a criação de postos de trabalho e de renda. 

Em setores como o Turismo e Comércio, altamente dependentes da circulação de pessoas e de mercadorias, o impacto dessa insegurança pode ser observado na diminuição da competitividade do País em comparação com outras nações quando o assunto é a escolha de destinos para viagens. 

Desde o início da discussão, a FecomercioSP tem defendido a PEC como uma oportunidade para o Estado brasileiro reorganizar competências, integrar estruturas e fortalecer instrumentos de enfrentamento do crime organizado. A Entidade segue atuante no Congresso a fim de que a proposta final consolide uma política para segurança pública integrada e sustentável fiscalmente. Para saber mais sobre a agenda da FecomercioSP para a segurança pública, clique aqui.